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8 de jul. de 2016

Tradição oral das crenças africanas


“Eu vim aqui para falar sobre os livros sagrados das religiões africanas, que é o que foi perguntado para mim. Não existe escrito sobre os conhecimentos antigos das religiões africanas, isso é passado de pai para filho, você vai aprendendo conforme você vai crescendo dentro do culto, então o babalaô (o pai-de-santo) que vai conhecer todos os “escritos” antigos e que vai repassando conforme ele vai confiando na pessoa, conforme ela vai provando que pode saber, conforme ela vai subindo dentro da hierarquia do culto.
Por que não é escrito? Por mais que seja grande o risco de esse conhecimento se perder, os africanos mantinham suas tradições orais, pois acreditavam que a palavra, a fala, tinha uma “alma”, um espírito -eles tinham a crença de que tudo tem um espírito, sendo Deus o espírito maior (NamoZambi), e os outros espíritos apenas Zambi- e quando algo era escrito, seu Zambi era aprisionado e não podia ser transmitido. O que de certa maneira faz sentido, pois até hoje evita-se abordar as pessoas de certa maneira, como por exemplo o sarcasmo, no meio escrito, por ter o risco de não ser compreendido, o que é difícil de acontecer quando se é algo passado oralmente. O Ifás, então, por mais que possam ser encontrados escritos, devem ser ouvidos, para você entender o teor que essa história tem, porque só ler a história é fácil, mas a interpretação torna-se literal, já quando se é escutada essa mesma história, toca no coração, é mais fácil de interpretar, tirando assim, o real significado das histórias. Não adianta de nada, eu mandar escrito para vocês toda uma história contando o porquê filho de Oxalá, não pode beber dendê. Na verdade, dentro desse exemplo já encontramos uma falha, o Ifá não foi criado para explicar o fato da pessoa não poder ingerir o produto, isso é uma das interpretações que podem ser tiradas da história, que na verdade nem é fato principal da mesma.  Nem todas as crenças africanas pregam isso, algumas raízes específicas sim, pois foi isso que eles tiraram desse conto, além da história principal que existe nesse Ifá.
Os Ifás, então, são mantidos na tradição oral, para que o Zambi da palavra não seja perdido que é transmitido de pessoa para pessoa, porque tudo para os africanos eram rituais e contar uma história também, pois quando você conta uma história, sua mente se conecta com as pessoas do conto, logo, se estou contando a história dos Orixás, estou me ligando aos Orixás, estou evocando os Orixás. É um Oriki, é uma evocação, só que sem fluir o Orixá, sem a “incorporação”. Uma evocação mais sutil, mas mesmo assim de muita importância, e é por isso que deve ser transmitida oralmente e deve ser transmitida para alguém que você tenha confiança. Os Ifás são os “escritos sagrados”, só que eles não podem ser escritos, senão eles perdem o Zambi, essa é a nossa crença.
Dentro da parte de confiança, pode ser entendido o porquê de haver terreiros autônomos e de ideais diferentes. Um babalorixá confia que a pessoa que está aprendendo com ele usará esse conhecimento para o bem, porém ele não pode garantir que a sua interpretação será a mesma que a dele, pois o Zambi que chega para mim é diferente do Zambi que chega a você. O que parece muito com a definição de Orixás que vem a seguir.
Orixá vem dos termos Ori e Xá. Ori, ao pé da letra, significa cabeça, mas tem um sentido mais parecido com caminho ou destino. Já Xá significa líder. Logo, Orixá é o líder do seu caminho, do seu destino, traduzido de uma maneira melhor, significa guia. São partes de Deus, não deus. São divindades, não deuses. São devas. São membros de um Deus, um espírito tão grande NamoZambi, que pode ser evocado em sua totalidade, mas ele é tão sutil a ponto de podermos chamar “partes” dele, conceitos dele, pois ele não é uma ideia, ele é o mundo das ideias. Então eu posso evocar só uma dessas ideias, e essa ideia será nomeada por mim, isso é um Orixá. São dez os principais Orixás (Oxalá, Ogum, Xangô, Oxóssi, Iansã, Oxum, Iemanjá, Nanã Buruque e Omulu), porém dentro de toda a teologia africana seguimos a teoria de que se o homem é diferente com o passar da vida, os Orixás também e como eles são ideias, quando eles mudam, eles recebem outros nomes. Oxalá quando nasceu, era Oxaguian, era uma força jovial, mas era uma força que não se entendia, então tinha um poder estrondoso, criava realidades apenas com o pensamento, mas tinha o autoconhecimento, ele era um guerreiro de batalhas internas, logo depois ele virou Orixalá (Oxalá é a abreviação desse nome), o Orixá dos Orixás, o guia dos guias, pois Oxaguian gerou todos os Orixás e assim virou guia dos guias, ele ensinava aos Orixás o que devia ser feito, porque ele era o ancestral deles. Depois disso, ele virou Oxalufan, o mais velho, o sábio, pois é a Onisciência divina, porque todos os Orixás vieram dele, logo, tudo que os Orixás sabem ele sabe, e quando todos os Orixás pararam de procurar os seus devidos lugares e acharam seus devidos lugares e faziam seus trabalhos de maneira certa já, Oxalufan soube de tudo, porque todos os Orixás sabiam o que fazer. Então os Orixás tem os nomes fixos, que são as dez linhas principais já citadas acima, mas esses Orixás podem mudar ao longo da vida, do contexto, do tempo, do lugar ou com quem estão. Por mais que os Orixás, não sejam espíritos humanos, e sim forças/ energias muito sutis, nos Ifás eles são antropomorfizados para ser mais fácil a criação de metáforas e ao mesmo tempo ser mais fácil o entendimento (levando em conta todo o contexto histórico, onde escravos analfabetos e simples seguiam essas religiões, isso só dentro do Brasil, ignorando todo o contexto africano mais antigo)”.

 Observação: Esta mensagem foi um pedido, eis que mandaram dúvidas por meio dos contatos do blog e de pronto o Pai Benedito se propôs a ajudar no esclarecimento.


Que seus mentores, guias e Orixás te abençoem e te iluminem. 
Abraços e orações,
 Druida.

2 de jul. de 2016

Introdução a Coroa da Encruzilhada


                "A Coroa da Encruzilhada pode ser considerada o alfabeto dos pontos riscados, tendo assim uma grande força no magístico.
                Esse relógio pode ser encontrado na ENCRUZILHADA de linhas de energia telúrica, se localizando pelo polo magnético do planeta onde se encontra. Gira pelo sentido horário e começa seu ciclo pelo noroeste.
                Cada polo é regido por uma força maior. Uma Deva divina, com suas correspondentes características. Usado pelas “entidades de Umbanda” com as Devas chamadas de Orixás.
1.1. Utilidade nos pontos riscados
        Para ser mais fácil o entendimento do “alfabeto magístico”, riscarei meu ponto e com ele explicarei:
        O cruzeiro das almas no centro do ponto, aponta para o Norte, o Leste, o Oeste e o Sul. Mostrando assim a fé ensinada por Cristo (N), a justiça que Deus pôs no sacrifício de seu filho (L), a emoção e o amor fraternal que Jesus nos ensinou (O) e a transformação de pecadores para filhos de Deus (S).
        O Sol no Noroeste significa a energia do próprio Sol (a alegria, a esperança) movimentada por todos com o nome Pai Benedito da Guiné.
        A Estrela de David no Nordeste diz que esse “negô” faz defesa para seus filhos tanto no “céu” quanto na “terra”.
        A ilha no centro significa a firmeza em todas as linhas, ou seja, essa entidade não trabalha em uma linha só, em um único reinado de Orixá.
        O rio sempre significa pureza, limpeza, movimento e todas as Yabas da Umbanda (as Orixás “femininas”), mas nesses polos mostra essa limpeza e movimento na parte da Justiça (L), da Magia(SE), na Transformação (S), na Filtragem (SO) e na Emoção (O).

1.2. Orixás na Coroa da Encruzilhada
Vamos começar pelo Norte e girar em sentido horário e terminar onde, na prática, é o começo da Coroa da Encruzilhada.
(+) Norte – Oxalá: Abreviação de Orixalá (Orixá maior/ Orixá dos Orixás), Orixá branco, do puro, da fé, o caminho com três estágios para encontrar sua própria divindade interior. Polo relacionado à fé e à paz;
(+/+) Nordeste – Ogum: Seu nome tem uma raiz relacionada a energia e ao movimento, porém na Coroa da Encruzilhada está mais relacionado à defesa e à guerra. Seu símbolo, se bem observado, encontra-se um escudo (sugestivo ao seu objetivo no relógio energético);
(+) Leste – Xangô: O polo relacionado a esse Orixá leva a energia para um “departamento de justiça”, onde tudo se organiza conforme as leis divinas e as leis cármicas;
(+/-) Sudeste – Oxóssi: Polo divisor entre o positivo e o negativo, onde a energia “gira em torno de si” para deixar os excessos e subir/descer, de acordo com a Lei. O Orixá dessa área trabalha com a magia, a sabedoria e a fortuna. Todos os aspectos que podem tanto elevar quanto abaixar o nível de algo;
(-) Sul – Iansã: Primeiro polo feminino/negativo. Encontramo-nos agora numa área de transformação. O fogo que queima algo que estava vivo para dar espaço para outro crescer e desenvolver-se. Polo ordenador de carmas e energias;
(-/-) Sudeste – Oxum: O filtro, um local de limpeza, retirando todo o excesso que acerca a energia. Outro polo negativo, uma encruzilhada de energias negativas;
(-) Oeste – Iemanjá: Local da vibração de emoção, polo do amor, da Mãe Maior. Local onde a vida começa e a energia termina. Onde tudo é abraçado e finalizado, onde há doutrina, onde finaliza o trabalho Cármino e energético da Coroa da Encruzilhada;

(-/+) Noroeste – Exu: O Exu que me refiro não é a linha de entidades da Umbanda/ Quimbanda. Refiro-me nesse momento do Orixá, a força antagônica de Oxalá. Seu polo é o mesmo de Oxóssi, misto entre o positivo e o negativo. Como esse “chefe de cabeça” rege o movimento, seu polo é o de entrada e saída. Esse polo não força nenhuma, pois ele só é a porta, a membrana plasmática dessa enorme célula que decide se a energia deve sair/ entrar ou se deve voltar nessa roda ou até mesmo girar no sentido anti-horário para zerar a força ou, até mesmo, extingui-la."

"A Coroa da Encruzilhada pode ser considerada o alfabeto dos pontos riscados, tendo assim uma grande força no magístico."



Que seus mentores, guias e Orixás te abençoem e te iluminem. 
Abraços e orações,
 Druida.

16 de jun. de 2016

As damas da noite

“Nos tempos em que eu era encarnada, a noite e a mulher foram injustiçadas e vinculadas ao Mal. A Igreja considerava demoníaco qualquer tipo de culto à noite, qualquer ação feminina independente.
Esses são os regates das pombo-giras hoje. Tirar esse conceito demoníaco de cima das mulheres e da noite em seus sentidos mais lúdicos. Foram chamadas de mulheres de Satanás, por serem independentes e conhecerem com plenitude seu corpo, e com ele a sexualidade, eram as antigas bruxas medievais, mulheres que deixaram de lado a vida social para se isolarem nas florestas, para aprender as antigos cultos celtas, ou qualquer outro, em louvação à Natureza, que visava a cura e o alto conhecimento.
Aprenderam os mistérios da noite, e com ele vieram todos os arquétipos noturnos, dentre eles, a Lua, a real face de tudo, o rosto por trás da máscara do Sol. A verdade, o questionamento e a razão. O maior veneno para a Antiga Igreja.
Eis que ainda sofrem preconceito, ainda são chamadas de mulheres de Satanás. Mas agora se orgulham desse nome. Sabem que para serem o que são, dedicaram tempo de suas existências, encarnadas ou não, para o estudo, para a evolução, para a caridade e para o auto conhecimento.
Tenho orgulho de servir a essa enorme falange. Pois, da mesma maneira que me resgataram do baixo astral, eu agora resgato irmãos perdidos e da mesma maneira que me ampararam em um momento de aflição, eu também amparo agora.
Que as forças da Lua, o auto conhecimento, a magia, a verdade e a força feminina te ajudem na sua existência, sempre bem amparada por Deus e seus servos.
Beijos amorosos,
Professora Srta. Nox”

"ainda são chamadas de mulheres de Satanás. Mas agora se orgulham desse nome."



Que seus mentores, guias e Orixás te abençoem e te iluminem. 
Abraços e orações,
 Druida.

18 de jan. de 2016

O porquê de nos sentirmos divididos dentro de nós mesmos


  Bem e Mal. Certo e errado. Noite e dia. Vida e Morte.
  Nossa vida aparece bem dual, não é verdade? Como se os "Yins" e "Yangs" em nossa vida fossem tantos que eles são tudo. E é como dizem, " o que está em cima é como o que está em baixo". Vemos essa dualidade em tudo. Em tudo aquilo que é Teorético( Que o homem não controla, onde você pode entender melhor em:Aristóteles e a divisão das ciências), aquilo tudo que nós controlamos e vemos, e tudo aquilo que somos como em nós mesmos.
   Muitos conhecem uma história que alguns dizem que é indígena dos dois lobos, que basicamente se dá dessa maneira: "Dentro de mim, existem dois lobos: O lobo do ódio e o lobo do amor.
Ambos disputam o poder sobre mim.E quando me perguntam qual lobo é vencedor,respondo:O que eu alimento". Ela resume essa situação que ocorre no mais íntimo de todos nós seres humanos. E dela não temos como fugir. Mas porquê?
  Para isso vou explicar um pouco sobre uma numerologia da Cabala, que baseado em  F. V. Lorentz, resume-se nas seguintes linhas sobre os números:
  "Comecemos pelo número 1. O número 1 é o primeiro, é a Unidade, é “Deus”(entre aspas, pois resumir Deus a um número além de inválido é desonroso) Ou seja, o 1 é aquele que gera todos os números, por isso mesmo, o 3 por exemplo são 3x1, assim sendo, é 1 também.
  Para compreendermos o 2, temos que compreender também o 1. Pensem comigo, claro que nesse exemplo figurado e simples, mas a lógica é essa. Se IEVE nasceu( o que não ocorreu pois o mesmo é eterno) imaginem que ele nasceu cercado por espelhos, então no momento que IEVE existe, existe seu reflexo, não existe um sem o outro ou vice-versa, pois os dois existem consigo e para si, e o reflexo é feito de IEVE, mas não é IEVE."
  Ou seja, o 1 podemos dizer que é Deus, e o 2 é FEITO DE Deus, mas não o é necessariamente. Agora, o número 3. O número 3 é a junção do 1 e do 2, mas não é um nem outro. O 3 é o número da forma( pois nossa dimensão material é TRIdimensional ). A melhor metáfora para ilustrar o 3 é a dos pais e filhos. O filho é a junção do Pai com a Mãe, mas não é nenhum dos dois.
  Assim, chego onde gostaria. Segundo os Espíritos que auxiliaram Allan Kardec na obra "O Livro dos Espíritos",  na pergunta 27 nos é respondido: "Deus, espírito e matéria constituem o princípio de tudo o que existe, a trindade universal.".
  Trindade, que é igual a 3. 3, que tem o conceito de forma e união do Ser e seu reflexo. Mas, o que isso tem haver com a sua vida afinal? Tudo.
  Vamos colocar que Deus é o 1, a matéria é o 2( Por isso a Igreja Católica mal dissertou sobre o Diabo ou Demônio. Eles nada mais são do que Reflexos de Deus, não temos muito mais a fazer sobre isso, e ele é,  o Reino da matéria, aquele o qual a Igreja nos dizia que tanto devemos fugir, entretanto, nada mais é do que um reflexo divino, não necessariamente negativo, mas existe com Ele e é feito Dele, mas não é Ele. Lembrando que, tem varias outras maneiras de se chegar à esse pensamento por parte da Igreja Católica, essa é só UMA visão sobre isso, de forma leiga em assuntos mais internos da nossa louvável Igreja Católica) e o Espírito é o 3. Pois usa da matéria e de Deus ao mesmo tempo.
  Aí chegamos em você. Você vive nesse conflito pois és filho desse conflito! Vive entre o Bem e o Mal pois és filho do Bem e do Mal! Do Diabo e de Deus!
  Mas então, seguir o Mal é bom? Não! Pois, assim como Deus e a Matéria( também pode ser dito natureza) são absolutos, nós um dia seremos absolutos enquanto todos e relativos enquanto unidades. Seremos o Bem para o Bom, é isso que devemos ser, e viver para Deus, pois assim viveremos para o Seu reflexo e para nós mesmos.
"Você vive nesse conflito pois és filho desse conflito! Vive entre o Bem e o Mal pois és filho do Bem e do Mal! Do Diabo e de Deus!"
Muito estudo, compreensão e Luz no teu caminho, no Caminho da Vida.
Irmão do Aprendizado.




  
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