" Para pesquisas rasas, que são maioria dentro das religiões de matrizes afro-brasileiras, infelizmente, encontramos o termo "egungum" para definir espíritos perdidos e inferiores, o que não é totalmente certo. Eles se dizem inferiores em relação às outras forças que ali se encontram, os orixás.
Precisamos, primeiramente, entender o que eram os eguns para os antigos africanos, das mais variadas nações. Antigamente, nas nações bantus, tínhamos um culto aos orixás, que traziam a espiritualidade, a fé, onde os religiosos participantes agradeciam os presentes dados pelos orixás, onde eles fluíam em seus filhos de cabeça, agradecendo as oferendas dadas a ele, mas as aldeias necessitavam de um consolo, sentiam falta de ouvir conselhos de seus antepassados já falecidos. E assim nasceu o culto dos Egunguns, um culto que ocorria em um dia diferente, que era regido pelos orixás, mas não havia a participação dos mesmos. Os chefes de Ori abriam espaço para que os antepassados dos participantes do culto viessem para ajudar com os problemas do dia-à-dia.
Os cantos em Iorubá e os rituais antecedentes eram facilitadores da evocação dos espíritos. Como por exemplo:
Bi obinrin mo awo
Ko gbodo wi
Ko gbodo fo
Ko gbodo so
Egungun ile Ojebode de o
Omo a reku, tosi nu
Odum baba wa la nse o
Igba yi a gbe wa
Que em português ficaria:
Se a mulher conhecer o segredo,
Não deverá revelar
Nem abrirá a boca
Nem deve falar
Chegou Egungun do Clã Ojebode
O clã que, cultuando seus ancestrais, espanta a pobreza e a doença
Estamos venerando nosso pai
Este tempo nos será favorável.
Percebemos aqui que esse ponto está em um formato igual a dos pontos usados hoje no culto que chamamos de gira de preto-velho, ou de baiano. Outra característica que se manteve foi que existe uma entidade chefe que rege tanto encarnados quanto desencarnados, fora do contexto pode até ser questionado tal formato, mas se voltarmos aos tempos, praticamente, apagados da mãe África, entenderemos porque desse modo de culto.
Na África, tínhamos, e ainda temos, a presença muito forte da filosofia do Umbuntu, na qual podemos ver claramente a ideia de respeito para/com os mais velhos que nos trazem todo o conhecimento antigo para que possamos criar um conhecimento contemporâneo, dentro de uma tenda religiosa isso se mantinha, fazendo assim que os praticantes do culto dessem a liderança para os espíritos antepassados, por confiarem neles, por acreditarem que detinham maior conhecimento, porém, isso, dentro de uma tenda religiosa, sem encontros de estudo e discussão, só o ritual, temos um tempo limitado, onde os egunguns perdem o tempo para explicar os "porquês", explicando só o "como" da prática ritualística, fazendo com que os cultos antigos e a recente Umbanda tivesse somente conhecimentos empíricos, forçando assim a Umbanda ter alicerces em outras crenças, como o Catolicismo, Espiritismo e todas as crenças indígenas. Ao longo desse tempo formamos aos poucos o culto dos Egunguns, os nossos ancestrais africanos que apelidamos carinhosamente de pais e avós, como, hoje, eu sou chamado nos cultos de Umbanda, em ilês de Candomblé e nos centros espíritas.
Que Deus, em todas as suas formas e nomes, junto de suas Devas, ajude-nos em nossa breve caminhada enquanto eternos na existência.
Bençãos e abraços,
Pai Benedito da Guiné"
"Ao longo desse tempo formamos aos poucos o culto dos Egunguns, os nossos ancestrais africanos que apelidamos carinhosamente de pais e avós"
Que seus mentores, guias e Orixás te abençoem e te iluminem.
Abraços e orações,
Druida.



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